14 de junho de 2011

De mochila pelo Egito!!

Cairo

Obs: mais fotos no Picasa (clique aqui)

Escolhi a Irlanda para fazer intercâmbio justamente porque é fácil viajar pela Europa saindo daqui. Há voos baratos para muitos destinos, mas nunca imaginei que um dia daqui iria parar no Egito.

Sempre sonhei em conhecer o Egito, mas ter visitado o país bem agora, foi uma ótima surpresa que eu fiz para mim mesma! =)

Foi uma viagem rápida de três dias, mas deu para aproveitar muito bem. Claro que voltarei para conhecer os belos templos de Luxor e Aswan. Não consegui visitá-los porque Luxor fica nove horas do Cairo, então... deixa para a próxima visita.

Saímos de Dublin no dia 03/06, com conexão em Londres. De Londres até o Egito foram cinco horas de viagem. A companhia aérea foi a Egyptair.

Chegamos no Cairo as 21h30 do horário local e fomos direto para o hotel. No caminho do aeroporto até  hotel, a impressão que eu tive foi que minha viagem acabaria ali mesmo. Se há leis de transito no Egito, com certeza elas não são respeitadas.

Nosso táxi correu tanto que me fez lembrar o ônibus peruano Soyus, quando eu fui de Lima para Nazca, parecia um foguete! Nosso motorista fez manobras incríveis pelas ruas do Cairo até chegar no hotel. Ainda bem que chegamos...

Reservamos a noite para acertar a hospedagem e tour. Como os dias eram contados, decidimos conhecer Giza no sábado e Alexandria no domingo.
No dia seguinte, enquanto aguardávamos nosso guia, tomamos um café da manhã egípcio servido pelo hotel. Só comi o pão com a geleia e tomei o chá sem o açúcar. Para quem me conhece sabe qual foi o destino do queijo... éca!
Depois do café da manhã, partimos para Giza, visitar as famosas e intrigantes pirâmides. Aquele frio na barriga cresceu quando da rodovia avistei Quéfren e Queops, foi demais!

Nosso guia, Salam foi super gentil. Aliás, todos os egípcios são gentis e atenciosos. Antes de viajar li muita coisa sobre o Cairo e a maioria dizia “cuidado”, mas o que acontece mesmo é que eles se oferecem para ajudar em qualquer coisa e pedem gorjeta pelos serviços prestados, mas isso quando você está no meio da rua com malas ou sacolas nas mãos.

Mas se você precisar de alguma informação, mesmo aqueles que não falam o inglês, tentam te ajudar de alguma forma. É um povo completamente hospitaleiro!

Antes de começar a aventura pelo deserto, conversamos com nosso guia e decidimos alugar camelos para nos levar até as pirâmides. Como a distancia entre as pirâmides e outra é grande, essa era a melhor opção em um dia de calor inexplicável.

Meu amigo escolheu um cavalo e eu, claro, escolhi um camelo. Poxa, estou no Egito, vou andar um pedaço do deserto em um cavalo? Não, eu escolhi o Michael Jackson (esse é o nome do camelo que me acompanhou durante todo o caminho).

O Michael Jackson chegou, sentou, reclamou um pouquinho, ficou quietinho e o guia pediu para eu subir. Desastrada do jeito que sou, demorei alguns minutos para subir no camelo mas consegui.

Quando o Michael Jackson se levantou percebi que eu queria um cavalo. É muuuuuuuuuito alto! Muuuuuito mesmo! Mas enfim, não desisti do meu bichano e fiquei na torcida para ele não inventar um moonwalking no meio do deserto!
Não sei explicar a sensação que eu tive quando olhei as pirâmides pela primeira vez no deserto. Sou apaixonada por lugares históricos, pela história, por saber como tudo começou. 

Ver bem ali na minha frente a única das sete maravilhas do mundo antigo que resiste ao tempo e aos humanos, foi demais!

Como diz o provérbio egípcio “O tempo resiste a tudo, mas as pirâmides resistem ao tempo”.
Paramos em um ponto alto, segundo nosso guia, conhecido como “montanha”, onde é possível ver as três pirâmides em um ângulo incrível.
  

Aguardamos nosso guia por lá enquanto ele saiu para comprar as entradas para uma das pirâmides menores de Miquerinos e Quéops.

Quando nosso guia voltou, ele estava com uma pedra branca na mão. Era só um pedaço do topo de Quéfren. A pirâmide era toda revestida de pedra calcária. O senhor que nos alugou o camelo disse que um rei egípcio maluco que mandou destruir a pirâmide de Quéfren, hoje só resta o calcário no topo na pirâmide.

Seguimos para a nossa primeira visita, a pirâmide de Miquerinos. Com 108 metros de altura, ela é a menor das três pirâmides. Ao lado de Miquerinos há três pirâmides menores. Segundo informações, a maior das três pirâmides pertenceu a rainha Khamerernebty II. Foi a pirâmide da rainha que conhecemos.
Não é autorizada a entrada com maquinas fotográficas na pirâmide, mas não falaram nada sobre celular...
 
A entrada é completamente estreita e a principio eu não queria me aventurar de forma alguma. Sou claustrofóbica e imaginei que aquele túnel estreito seria próximo ao eterno e demoraria muito para acabar. Se fosse assim, eu jamais teria entrado. Mas ele é bem curto e da para se movimentar bem até o interior.

Lá dentro é incrível e você fica se perguntando milhares de vezes: como? Como? Como? Como eles fizeram tudo aquilo?

Quando eu estava saindo da pirâmide, adivinha o que eu ouço? Português! Brasileiro se espalha feito pó ao vento, fala sério! Hehehe. Eram três senhoras super simpáticas do Recife.

Saímos da Miquerinos e seguimos até a pirâmide de Quéfren. Não descemos dos nossos amigos bichanos para chegar próximo a pirâmide, não era permitido e haviam cordas limitando o acesso e alguns guardas vigiando a pirâmide.
Quéfren tem 143 metros de altura, é a segunda maior pirâmide do Egito antigo e refere-se ao irmão de Quéops.
A passagem por Quéfren foi bem rápida. Nosso guia nos levou para tocar a pirâmide e logo em seguida alguns guardas gritaram “hamalamalá lambida-lambida-lambida!!!!” e nosso guia respondeu alguma coisa parecida e fomos para longe de Quéfren.

O granito do topo é alvo comercial e a pedra tem grande valor. Para que não ocorra mais depredação, os guardas estão de olho. Mau ele sabe que eu tinha um pedaço na bolsa... eu ganhei... não sei de nada!

Saímos de Quéfren e fomos visitar Quéops, a maior pirâmide do Egito antigo e a única das sete maravilhas do mundo que existe fisicamente. Não tenho nem palavras para explicar qual foi minha reação e meu sentimento quando fiquei cara a cara com a grande pirâmide.
Não ficamos tão próximos porque havia uma equipe infeliz de filmagem fazendo um documentário bem no dia.

O mesmo ticket que nos deu direito a visitar a pequena pirâmide de Miquerinos, nos deu direito entrar em uma das três menores pirâmides ao lado de Queóps. Historiadores acreditam que a maior delas foi construída para a esposa do faraó e as outras para filhas ou demais esposas.

O acesso com maquina fotográfica é liberado para esta pirâmide. A mesma sensação veio a tona, foi incrível.
 
Podem rir, eu deixo, mas eu imaginava que essas pirâmides fossem oca por dentro! Me surpreendi quando entrei e vi que é muito mais do que eu imaginava.

Ao lado da pirâmide de Queóps tem um pequeno templo e nele ainda contém desenhos e descrições originais nas paredes. Não sei até quando, porque pessoas sem um pingo de noção do valor histórico, destruíram algumas paredes e pilares do templo.

Até mesmo dentro das pirâmides há pichação de nomes de pessoas ignorantes.
 
 
 
Depois de visitar as três pirâmides, foi a vez da incrível Esfinge. A entrada que da acesso direto a Esfinge estava fechada, havia muitas obras no local. Mas nos aproximamos por outro lado.Não consegui ficar tão perto quando eu queria, mas foi suficiente.

É muito grande, muito bela a construção e muito bem feito!
Foto clichê, mas eu queria uma... =)
Voltamos para devolver o Michael Jackson. Quando eu desci e comecei a caminhar... ai, ai, ai! Dores no braço, pernas e “retaguarda”. Me lembrei do Michael Jackson por dois dias.

Passamos toda manhã em Giza, foi muito divertido. Me perguntaram se eu era indiana, marroquina, dos Emerdaos Árabes e me chamaram até de Shakira (até agora tento entender de onde veio essa ideia, nem o branco dos olhos se parecem.), cada uma...

Deixamos Giza e fomos para o Old Cairo, visitar a Salah El Din Citatel. No caminho passamos por um aqueduto, um dos pontos turísticos da cidade, mas que por falta de cuidados está cheio de lixo...

Só o muro da citadel impressiona, imagina o que há lá dentro. A Mesquita é linda e gigante. Uma guia nos explicou a história, mas o inglês dela era muito árabe e não consegui entender direito. Só sei que foi de "alguns Mohameds".
 
 
Para entrar na mesquita eu precisei colocar um manto, em respeito a cultura local. Ficou assim e já me chamaram de Mago Branco, Zé Gotinha, Gasparzinho...
Um fato muito engraçado e interessante me ocorrei0 na citadel. É comum os egípcios virem de encontro a você lhe oferecendo ajuda ou qualquer produto, como eu já havia citado acima. Lá, todos que falaram comigo me perguntaram de onde eu era. Eu respondi Brasil e na sequencia, todos sem exceção comentaram: “Brasil? Xuxa! Cala boca Magda!”.

Achei fantástico e ri muito! Porque é algo inédito, pelo menos para mim, pois aqui na Irlanda todas as pessoas que conheci, de várias nacionalidades, só me falam de futebol e carnaval. Um ponto para o Egito e Zero para os demais países.

Cidade do Cairo, vista das muralhas da citadel.
 
Saímos da Citadel e fomos para o Museu do Cairo. É extremamente proibida a entrada com maquinas fotográficas no museu.

Bem na porta tem uma maquina de raio x como as que tem nos aeroportos, não adianta deixar a maquina na bolsa. Do lado de fora do museu tem uma chapelaria e é lá que a maquina fica até a visita ao museu acabar.

Não consigo descrever o que vi. É surpreendente estar cara a cara com a história.

Como não consegui fotos do interior do museu, me encantei mesmo em tirar as fotos da parte externa e do jardim.
 
 
 

Bem em frente ao museu há um canteiro de papiros e flor de lótus, típicos do Egito.
 
Depois de andar pelo museu por um pouco mais de duas horas, voltamos ao carro para nos encontrarmos com nosso guia. Chegando lá, ele havia comprado o nosso almoço, disse que estávamos cansados e precisávamos comer. Perguntamos a ele o valor do almoço e ele ficou bravo, disse que isso é a hospitalidade egípcia, pagá-lo seria um insulto pois era um presente.

Ele nos trouxe Koshary, é uma comida típica do Egito. A primeira vista fiz cara feita, não sabia o que eram aquelas coisas em cima da comida, mas depois descobri que eram cebola.
 
O prato é macarrão (dois tipos: redondinho e espaguete), lentilha, arroz, cebola frita e molho de tomate. Eu adorei!

Depois de comer, voltamos para o hotel. No dia seguinte nossa jornada rumo a Alexandria começaria bem cedo.

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Alexandria


Acordamos mais cedo do que imaginávamos no domingo. A distância entre o Cairo e Alexandria são de duas horas, de carro.

Para aproveitar bem o dia, saímos bem cedo do hotel e tomamos o café da manhã no caminho, presente do nosso guia do dia, Mohamed.
Fomos conversando com nosso guia durante toda a viagem. Ele nos explicou que no Egito o homem pode ter até quatro mulheres e que ele estava a procura de mais uma, porque só uma não da certo. Ele até me convidou para ser uma das suas esposas, mas neguei com gentileza, claro.

Fomos conversando sobre o Egito e descobri que durante toda a minha vida, pronunciei errado o nome da rainha mais famosa do país: o correto é Cleopátra e não Cleópatra. É assim que os egípcios pronunciam o nome da rainha.

Chegamos em Alexandria e a primeira visita foi ao Teatro Romano. É pequeno, se comparado ao de Roma, mas é incrível tanto quanto!
 
 
 
Ao redor do teatro, existem alguns monumentos que foram encontrados no fundo do mar. Para quem não sabe, boa parte de Alexandria está embaixo do mar, devido a um grande terremoto há "alguns" séculos atrás.
Não andamos por todo o sítio porque haviam arqueólogos trabalhando no local, mas foi incrível!
Saindo do teatro, fomos em direção ao Pilar de Pompeu. No caminho, algumas fotos do centro de Alexandria.
 
 O pilar é gigante! Foi a única que coisa sobrou do grande Serapeum.


Logo em seguida, fomos para a Citadel of Qaitbay de Alexandria, um lugar maravilhoso! Se parece muito com um castelo.







Depois da visita a Citadel, seguimos viagem até a famosa biblioteca de Alexandria. 

A nova biblioteca é enorme, tem muito espaço para pesquisas, muitos livros é impressionante.



Essas fotos foram tiradas no outro lado da biblioteca, que fica em frente ao mar.


O que mais chamou a minha atenção foi o museu que tem no subsolo da biblioteca. Lá contém partes da verdadeira biblioteca de Alexandria. São duas grandes partes do piso da entrada, alguns artefatos que também foram encontrados no mar.

Não pude fotografar, mas as imagens estão bem gravadas na minha cabeça!

Para fechar o nosso Day tour por Alexandria, paramos em uma praia próxima a Stanly Bridge, ficamos por alguns minutos e voltamos para o Cairo, ainda tínhamos algumas coisas para fazer antes de voltar ao hotel.

Passamos em Giza para comprar pinturas em papiros de verdade. O mais incrível do que as pinturas, foram todos os funcionários da loja me pedir em casamento. Sem comentários!

Saímos da loja de papiros e fomos visitar uma loja de perfumes egípcios. Eu adorei a fragrância da flor de lótus, mas não era algo que eu queria comprar agora. E para variar, mais pedidos de casamento! Falta mulher no Egito, fala sério!

Resumindo: a viagem foi simplesmente fantástica e os egípcios são pessoas simpáticas, adorei!

Ahh! Só uma observação: “a cada cinco homens no Egito, sete se chamam Mohamed...”

Beijos!

15 comentários:

  1. Muito bom o post vi, como sempre.

    Beijão

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  2. Nossa, Viviane... Que viagem maravilhosa... eu tava aqui arrepiada enquanto lia o post.... Meu marido e eu sempre conversavmos sobre a nossa viagem dos nossos sonhos: Egito... nao eh pq vc foi nao rs eh verdade, e eu nem consigo imaginar o q vc sentiu, so sei q quero tb!!! Sera q vc pode me indicar os hoteis e os tours q fez? pode ser pelo FB se quiser, no private :)
    Parabens pelo post e pelo passeio!!

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  3. Apenas uma palavra sobre este post e sobre a viagem em si: AWESOME!

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  4. Parabens !!!!
    E aproveita mesmo tudo o q ue tiver direito, a vida é uma só e vc esta aproveitando ela ao maximo !!!! beijos

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  5. Perfeito! A descrição da viagem conseguiu me transportar pra lá, q sonho! Parabéns pela mais nova conquista, dentre várias que vc ainda vai conquistar!

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  6. Afff, que viagem louca heim... Imagino como vc não se sentiu entrando nas pirâmides. Valeu, por me fazer conhecer o Egito, rsrs. Bjuss

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  7. ahhh, vou pro Egito então casar, kkkk
    Viagem fantástica Vi!!

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  8. consegui chegar no egito
    vendo tuas fotos e lendo teus post
    enquanto não tenho grana fico viajando pela net :) Parabéns pela viagem, super dimais :)

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  9. Muito massa...enquanto não tenho grana
    fico aqui na net viajando em pensamento
    atraves das suas fotos e dos seus post :D

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  10. Adorei ler teu itinerário, esou m preparando p dar uma esticadinha até o Egito em janeiro/2012. Nossa eh fantastico, é meu sonho de consumo q vou realizar.

    abraços
    marcia
    10.07.2011

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  11. Olá!! Obrigada por todos os recadinhos!

    O Egito é demais!! Márcia tenta ficar no mínimo uma semana, porque assim você terá tempo de visitar os templos de Luxor e Aswan!!

    Beijos!

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  12. fiquei arrepiada tbm, vem k, um brasileiro que está em dublin, como faz em relação aa visto e passaporte pra ir pra o egito?

    beijo, vivi minha chará que nem eu com espírito de aventureira

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  13. Oie...adorei seus comentarios, voce foi muito criativa, muito diferente...estou me preparando para ir em abril de 2012...obrigada.

    Beijocas
    Maria Tostes

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  14. Você tomo vacina de contra febre amarela no brasil? Fiquei na dúvida pois quando sai do Brasil direto para Egito tem que tomar essa vacina, da Irlanda para o Egito tem como tomar essa vacina?

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  15. Olá!
    A embaixada do Egito na Irlanda não solicitou vacinas para me entregar o visto e também não me foi solicitado ao entrar no país (Egito).

    É bom ficar atento com o que comer e onde comer.

    Abraços!!!

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